Mulheres da Terra

Participar de encontros, feiras e demais eventos é sempre uma oportunidade de conhecer novas pessoas e projetos transformadores, daqueles de encher o coração de esperança. No encontro da Rede de Sementes Livres Brasil, realizado em Florianópolis (SC), em dezembro do ano passado (dias 2 e 3), não foi diferente. Conhecemos inúmeras iniciativas, motivos, aliás, de muitos posts futuros aqui no blog. E foi lá, durante a oficina de Banco de Sementes, quando diversas agricultoras e agricultores compartilharam suas experiências, que conhecemos a Joana Fernandes Sebben. Em um emocionante depoimento, Joana falou sobre sua trajetória como mulher camponesa e os desafios da luta pela igualdade de gênero no campo.

Ao lado de outras três agricultoras – Edel Schneider, Lourdes Bodaneze, e Rosalina Nogueira da Silva -, Joana é uma das entrevistadas do curta-metragem “Mulheres da Terra”, produzido pela Plural Filmes. De uma força feminina (e feminista), e uma sensibilidade na fala, elas refletem sobre o que é ser agricultora, sobre o cuidar da terra, e sobre a geração de renda familiar, com a comercialização e beneficiamento da produção. Falam, ainda, sobre a importância de manter as sementes crioulas e da soberania alimentar e nutricional da família.

São mulheres que respeitam as sementes como patrimônio dos povos a serviço da humanidade. Mulheres que entendem que preservar as sementes é sentir também a energia de uma história guardada há milênios pela agricultura camponesa, pelos quilombolas, pelos indígenas…

Moradoras de alguns municípios da região Oeste de Santa Catarina, e integrantes do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC/SC), elas mostram a importância do movimento social para a emancipação das mulheres no campo, e os desafios que precisam ser superados. Mostram, ainda, a urgência de uma mudança de paradigmas, tanto nas relações dos seres humanos com a natureza, a partir do fortalecimento da agroecologia, como na construção de novas relações sociais de gênero. Uma luta de extrema importância em nossa sociedade.

A seguir, confira alguns trechos dos depoimentos:

Lourdes Bodaneze“A transformação, eu tenho certeza, vem através da semente. A semente que a gente resgata, a semente das organizações, a semente das atitudes. Tudo tem que ser pela semente, porque nós somos uma semente. E isso não precisa aprender numa faculdade. Isso você tem que sentir que está na hora de mudar.  Lourdes Bodaneze

Joana“Quando a gente produzia o milho convencional, tinha que pagar o adubo, o veneno, a ureia, a semente, a máquina para colher… Então o lucro ia tudo para os outros. Agora, o que a gente produz fica tudo para a propriedade. (…) Faz um pouco mais de seis anos que eu estou participando do movimento de mulheres, e foi ali que começou a mudança maior. (…) É a mulher que se preocupa em guardar a semente, de ver o que vai plantar no ano que vem. Dar continuidade à vida…”. Joana Fernandes Sebben

Edel Schneider

“A gente se libertou bastante com o movimento”.  Edel Schneider

 

 

 

Rosalina“É doar um pouco daquele saber, dessa coisa tão boa que a gente tem da natureza, e passar um pouco dessa energia para as companheiras também. (…) O homem, pela questão do físico, da força, do poder, ele acha que tem que fazer tudo o que é grande. E a mulher já pensa em produzir, mas produzir de várias espécies”. Rosalina Nogueira da Silva


Ficha Técnica: Mulheres da Terra

  • Direção: Marcia Paraiso
  • Roteiro e Pesquisa: Marcia Paraiso e Adriane Canan
  • Diretora Assistente: Adriane Canan
  • Direção de Fotografia: Anderson Capuano e Kike Kreuger
  • Assistente de Câmera: Guilherme Britto Fernandes
  • Produção: Will Martins
  • Som Direto: Grilo Britto
  • Produtora: Plural Filmes
  • Trilha Musical Original: Conrado Pêra
  • Montagem: Bernardo Garcia e Marcia Paraiso
  • Edição e Finalização: Bernardo Garcia
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