Enga: entre rodas, fogueiras, artes e trocas de experiências

enga-as-sementeirasMês passado tivemos a alegria de participar do Enga, o Encontro Nacional dos Grupos de Agroecologia. Pensem em um evento que teve todo o cuidado de ser sustentável e coerente com todos os ideais que busca em nossa sociedade… Pois é. Os dias entre 12 e 16 de novembro foram regados a muitas partilhas de conhecimentos e bons sentimentos. Regados a uma deliciosa comida vegetariana, com direito a muitas frutas, legumes, verduras e grãos, provindos, em sua maioria, da agricultura familiar, dos assentamentos da reforma agrária e dos grupos de agroecologia. Isso sem contar os produtos de higiene pessoal oferecidos aos participantes, todos com bases ecológicas: sabonetes, shampoo, pó dental e enxaguante bucal.

Realizado na Ecovila Tibá, em São Carlos (SP), só o tema do encontro deste ano já foi um convite à reflexão: “Sê-mentes livres. Re-existência”. Semear a liberdade, auto gerir, assumir a responsabilidade individual, desconstruir paradigmas e arregaçar as mangas para construir um todo que acolha, respeite e aprenda com a diversidade. Respeitar a liberdade de cada um. Re-significar o olhar acerca de como as coisas podem ser nesse mundo, perceber nossos padrões, escolher e re-existir.

E seguindo essa proposta, o evento contou com diversas oficinas que abordaram temas de extrema importância (e urgência!) em nossa sociedade. Foram debates sobre educação popular, permacultura e saúde, cosméticos naturais e fitoterápicos, alimentação saudável, agricultura biodinâmica, reforma agrária, banco de sementes, manejo dos recursos hídricos, Dragon Dreaming (Criação Colaborativa de Projetos), criação de grupos de consumo, CSA (Comunidade que Sustenta a Agricultura), entre outros assuntos. Temas esses que em breve compartilharemos aqui no blog. Vivências agroecológicas também foram realizadas em dois assentamentos (Nova São Carlos e Santa Helena), em uma fazenda de produção orgânica (Fazenda da Toca), além de um espaço de permacultura urbana em São Carlos (Associação Veracidade). 

Uma rica troca de sementes rolou no último dia do encontro, com direito a sementes de diversas regiões do Brasil, inclusive de outros países
Uma rica troca de sementes rolou no último dia do encontro, com direito a sementes de diversas regiões do Brasil, inclusive de outros países

Tudo isso permeado por muita arte, música, roda, fogueira e alegria… era olhar pra um lado e deixar o corpo gingar numa roda de capoeira, olhar pra outro e ver alguém deslizando pelo tecido meio à contemplação da natureza. Um pouco de coragem e a gente podia experimentar a vida sobre a “corda bamba”, brincando no slackline, ou convidar um irmão para soltar os corpos pendurados na geodésia. O fogo aquecia nossos corações nas noites frias. A voz soltou em melodias a vontade de viver de um novo jeito, e as grandes rodas, com todos abraçados, chamou o novo mundo pra girar. O jongo, o coco, o maracatu abençoaram as noites e nos fez crianças de almas puras. Os batuques pediram licença aos ancestrais e juntos semeamos a terra para os próximos que por ali passarão.

E nessa mesma melodia vibramos a autogestão na execução das tarefas, o cuidado coletivo do espaço. Divididos em quatro grupos (flor, fruto, semente e raíz), cada um era responsável por uma atividade no dia, desde a alvorada (o despertar dos participantes, com direito à música e alegria), a cozinha (café da manhã, almoço e jantar), o destino dos resíduos e a harmonização e limpeza do espaço. Um exemplo de que, coletivamente, é possível conviver em harmonia quando existe a colaboração de todos.

Ao final dos quatro dias, nossos corações eram só gratidão a todos que ali estavam, compartilhando conhecimentos e experiências. Compartilhando uma nova forma de re-existir em harmonia com a natureza.

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Oficina As forças sutis na natureza

 

 

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