É hora de repensar nosso consumo

Consumo consciente
Do blog: Lugar do bem

A mudança está, primeiramente, em nós mesmas.

Podemos fazer muito mais em nosso dia-a-dia para mudar o que está posto e que tanto criticamos. Reciclar o lixo é importante, claro. Mas, mais importante ainda é diminuir nosso consumo – aquele consumismo tão enraizado em nós pelos meios de comunicação e pelo sistema capitalista no qual vivemos… Mudar isso é escolha nossa e, garanto, é mais fácil do que podemos imaginar…

Quando vivíamos em Madri, conhecemos um movimento fantástico chamado Mercado Social, o qual reúne pessoas, empresas e entidades que partilham valores de igualdade, solidariedade e sustentabilidade. Uma vez parte desse grupo, essas pessoas, entidades e empresas compram e vendem produtos e/ou serviços entre elas mesmas, evitando, ao  máximo, recorrer às grandes empresas ou multinacionais. A ideia, assim, é girar o dinheiro dentro do próprio grupo. Além disso, eles criaram uma nova “moeda social” para, aos poucos, substituir o euro nas negociações de compra e venda. O movimento espanhol acredita que só através do consumo responsável vamos conseguir nos desconectar desse modelo econômico capitalista e consumista que temos hoje.

Outra iniciativa espanhola interessante são os sistemas de bancos de hora. Ao fazer parte de um desses sistemas, eu posso, por exemplo, “oferecer” uma hora de aula de espanhol para alguém do grupo e “receber”, desse mesmo grupo, uma hora de algum serviço de alguém disponível ali. Essa pessoa que recebeu a minha aula de espanhol terá que fazer algo por uma hora para uma outra pessoa do grupo e assim por diante…

Já quando o assunto é alimentação saudável, grupos espanhóis se mostram ainda mais preocupados com o fato de depender de grandes empresas, de serem reféns do sistema. O que vimos por ali foi que várias pessoas fazem parte de grupos de hortas de cultivo orgânico. Ou seja, enquanto existem pessoas que querem viver na roça, os cidadãos urbanos não só apoiam como contribuem para que isso seja possível. Os meios de produção são de propriedade coletiva e o grupo se financia através de cotas dos sócios. São pessoas que assumem o compromisso de consumir os alimentos colhidos na horta durante, pelo menos, um ano. Além disso, não existe a escolha dos alimentos. Em encontros pra lá de animados, cada sócio “faz a feira” com aquilo que horta deu na época. E se a colheita foi abundante, a distribuição para familiares e amigos está garantida.

E você, quais iniciativas conhece? Colabore com a gente compartilhando o que já viu dentro ou fora do Brasil. Comente o post ou mande e-mail para: assementeiras@gmail.com. Faça as boas ideias circularem…

Termino esse Post com a Ética Andina:

“Actúa de tal manera que contribuyas a la conservación y perpetuación del orden cósmico de las relaciones vitales, evitando transtornos del mismo”.

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