O poder nas mãos

Deeksha

Caminhávamos pelo místico vilarejo do Vale do Capão, na Chapada Diamantina, quando entramos em um centro voltado à espiritualidade, o Lothlorien. Uma moça simpática nos apresentou todo o espaço e nos convidou a participar da Deeksha. Resumidamente nos disse que era uma benção, parecida com o Reik, e que quem a conduziria naquele dia seria Bhaskar, um grande conhecedor dessa prática. Ele, e seus alunos, fariam a última prática da vivência que acabara de acontecer ali. Com as mãos sobre nossas cabeças, eles despertariam nossa consciência. 

Segundo ouvimos do próprio Bhaskar,

Deeksha nos faz usar uma parte importantíssima do nosso cérebro que está “adormecida”. A parte responsável pela receptividade, gratidão e compaixão. E uma vez recebida a Deeksha, deixamos de temer o contato com as pessoas, mais que isso, deixamos de pré julgá-las. Algo novo acontece e as memórias de traumas são quase que cirurgicamente retiradas e o passado traumático (responsável pelas nossas re-ações à vida) vão se apagando. Vamos matando os medos e as culpas até chegar a um estado de leveza, de permanente felicidade.

DEEKSHA, DIKSHA ou Bênção da Unidade significa proximidade com Deus, palavra que vem do antigo idioma sânscrito e que quer dizer “Divina Presença”. É uma transferência de energia criada para o despertar total das pessoas. Uma transmissão de energia que se manifesta como amor, paz, alegria, Deus, relaxamento ou cura física e emocional. A transmissão se dá por imposição das mãos sobre a cabeça, a qual é feita por pessoas treinadas. A experiência é vivenciada de forma muito particular, às vezes forte, outras sútil, e por vezes adiada até mesmo para dias depois. Cada pessoa vive o seu próprio processo. Algumas sentem uma energia percorrer todo o seu corpo, outras visualizam energias distintas. Em alguns casos ocorre uma singular clareza de percepção acompanhada de um sentimento de alegria, de paz interior. Para outras, ainda, ocorrem insights reveladores e uma nova compreensão do próprio processo pessoal, ao passo que outras, conscientemente, não percebem nada.

O movimento foi criado na Índia por Sri Amma e Sri Bhagavan para ajudar a elevar o nível de consciência dos seres humanos. Em 1984, um professor e sua mulher fundaram uma escola com aulas de filosofia e metafísica, orações e meditação. Certo Krishna, um aluno com 11 anos, sentiu algo diferente, e perguntou ao seu pai, o diretor do colégio, ‘quem era o ser dourado que via dentro dele’. O pai respondeu que poderia ser a manifestação de uma divindade, e o assunto se encerrou por ali. Até que estas crianças começaram a querer transmitir esta luz, umas para as outras, impondo suas mãos sobre a cabeça das pessoas. A benção foi reconhecida como ‘diksha’, e o pai do garoto anunciou que eles fariam parte de uma mudança na humanidade. Em 2003 foi fundada a Oneness University que ajuda a disseminar o processo da Diksha para todo o mundo ocidental. Cerca de 500 mil pessoas em todo o mundo estão ligadas ao movimento. No Brasil, a Diksha é doada por cerca de 200 pessoas.

Duas horas depois saímos do Lothlorien. Sentimos algo forte, mas impossível de verbalizar. Desistimos de buscar explicações ou argumentos, e apenas seguimos caminhando. E o que sentimos depois? Até hoje não sabemos dizer, mas, dias depois, nos demos conta de que pessoas incríveis cruzaram nosso caminho. Pessoas generosas, amorosas, iluminadas. E como num lapso, lembramos que várias delas nos disseram: “gratidão, vocês têm muita luz!”

Tudo o que é necessário é experienciar. OM SHANTI.

Anúncios
Marcado como: