Chapada Diamantina: um tesouro no interior da Bahia

Morro do Pai Inácio

Um céu que, de tão estrelado, nos faz sentir ao lado da lua, e uma cachoeira que, de tão alta, suas águas evaporam antes mesmo de tocar o chão – sim, são mais de 350 metros de queda. E o melhor: isso são apenas duas das preciosidades que a região da Chapada Diamantina guarda para quem a visita. São 152 mil hectares que reúnem cânions, rios, lagos subterrâneos, além de um grande número de nascentes, quedas d’água, corredeiras e cavernas, num cenário mágico que varia entre Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga. Sua principal atração é o Parque Nacional da Chapada Diamantina, criado na década de 1980 e hoje administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Seja de carro, de ônibus, carona ou mesmo a pé, são vários os circuitos possíveis de se fazer para conhecer a Chapada Diamantina. Nós usamos cada um desses meios e optamos por conhecer as cidades e vilarejos Vale do Capão, Lençóis, Igatu, Mucugê e Rio de Contas, além de um bate-e-volta em Ibicoara, onde visitamos a Cachoeira do Buracão. Fizemos ainda o trekking pelo Vale do Pati – um incrível mergulho não só na beleza natural da Chapada, como em nós mesmas. Foram quatro dias de caminhadas que você pode conferir neste post.

Lençóis e região

Noite no centro histórico de Lençóis

No coração da Bahia, o Parque Nacional da Chapada Diamantina fica entre seis municípios, e Lençóis, a 400 km de Salvador, é considerada o “portão de entrada”. Suas ruas de pedras são repletas de coloridos casarões do século 19 que remontam a época em que a cidade era uma das mais importantes do ciclo do diamante na Bahia. Hoje, devido a sua infraestrutura, é nela onde a maioria dos turistas se hospeda em busca de trekking e demais esportes de aventura na região. E, não por acaso, é nela também onde estão os preços/serviços mais caros da Chapada. Logo, ficamos ali apenas dois dias, o suficiente para conhecer a cidade. Se quer uma dica de onde se hospedar, aí vai: Zig Zag Hostel, do simpático casal Arnaldo e Gerusa (Rua Riachuelo, s/n, Centro – email: ziguezague@hotmail.com – Tel: 75-3334-1012 / 9998-2302 / 9823-5089). Pagamos R$ 50 a diária em quarto duplo, com café da manhã.

Como não há muito transporte público pela região, e as atrações ficam nas rodovias, acaba sendo um pouco complicado fazer os passeios por conta própria se você não estiver com carro, como era o nosso caso. Chegamos a ir em umas duas agências de turismo, mas ambas deram uns valores bem fora do nosso orçamento: cerca de R$ 150 reais por pessoa por um dia de passeio, incluindo visita a atrações como Gruta da Pratinha, Gruta da Lapa Doce e Morro do Pai Inácio. Como dias antes já tínhamos feito o Vale do Pati, desistimos desses passeios e fomos conhecer o que era possível em Lençóis mesmo, apenas caminhando. Então fomos andar pela rua principal da cidade, onde ficam vários barzinhos e restaurantes bem turísticos com mesas na rua. Mas o melhor da rua, sem dúvidas, foi uma venda super pequena, tipo quitandinha, onde uma senhora vendia uns sucos naturais em garrafinhas pets de 500ml por R$ 1,00. Foi a oportunidade de provar toda sorte de frutas como suco de mangaba, de caja, jenipapo e por aí vai…

Outro lugar que valeu a pena conhecer foi o Ribeirão do Meio, cujo acesso se faz por uma trilha leve de 45 minutos a partir do centro da cidade. Foi uma tarde tranquila e agradável, pois há um grande poço e algumas piscinas naturais, onde passamos um bom tempo nos refrescando. Além disso, conhecemos ali uma baiana super simpática, de Morro do Chapéu, que, naquela tarde mesmo, iria com o namorado ver o famoso pôr-do-sol no Morro do Pai Inácio. Não deu outra: marcamos de nos encontrar no hostel onde eles estavam hospedados e às 17h lá estávamos nós indo de carona com eles. No Morro, a vista é realmente incrível e emocionante. Não vimos o famoso pôr-do-sol, devido a algumas nuvens, mas, por outro lado, quando já estávamos descendo, eis que surge a lua, gigante e toda alaranjada. Foi a mais linda que já vi, confesso.

Cachoeira do Buracão

Carona, aliás, foi algo que esteve muito presente em nossa viagem pelo interior da Bahia, e de uma forma muito natural – algo surpreendente para qualquer paulista como nós. Em nossa pousada mesmo, foi só iniciar uma conversa durante o café da manhã com dois universitários da USP, sendo um deles baiano de Feira de Santana e outro paulistano, que, quando menos esperávamos, surgiu uma carona para irmos conhecer a famosa Cachoeira do Buracão, em Ibicoara, a 215 km de Lençóis. Era um lugar que estava nos planos iniciais da viagem, mas que, devido à falta de um carro e de ônibus com frequência, meio que tínhamos deixado de lado. Depois de algumas horas de conversa, lá estávamos todos à caminho do Buracão, trocando experiências e histórias de viagens, em uma estrada repleta de paisagens incríveis.

Chegando em Ibicoara, é obrigatório contratar um guia da Associação dos Condutores de Visitantes de Ibicoara (ACVIB) para conhecer o Buracão, o que pode custar uns R$ 50 reais por grupo. Obrigatória e necessária, aliás, pois o caminho de terra que liga a cidade até o início da trilha é bem sinuoso e sem sinalização, com cerca de 30 km. Além disso, é preciso pagar uma taxa de R$ 3 por pessoa para a manutenção da reserva/parque ambiental onde fica a cachoeira. Do lugar onde se estaciona o carro, até o início do cânion, são cerca de 3 km de trilha nível leve, a maior parte dela beirando um rio. Já na entrada do cânion, em estado de êxtase com tamanha beleza natural, nadamos contra correnteza uns 100 metros, com a ajuda de coletes salva-vidas disponíveis ali mesmo, até chegar à cachoeira. Um curto trajeto que traz a sensação de estar atravessando algum desses portais da Caverna do Dragão ou do Senhor dos Anéis. Ao final dos 100 metros, ao lado esquerdo, já vemos a incrível queda de 85 metros de altura. Um cenário mágico.

Se tiver oportunidade…

Das coisas que deixamos para uma próxima visita à Chapada, uma delas é a cidade de Iraquara, a 70 quilômetros de Lençóis. Uma de suas atrações é a Gruta da Lapa Doce, um complexo de cavernas, considerada a terceira maior do Brasil, repleto de estalagmites e estalactites e um salão principal com 70 metros de altura. O público pode percorrer apenas 850 metros dela, o que dizem ser suficiente para ficar encantado. Outra atração é a Fazenda Pratinha, onde é possível visitar o Rio Pratinha, de um tom azul inigualável, e a Gruta da Pratinha, onde é permitido fazer flutuação com guia por R$ 20. Ainda na Fazenda Pratinha, cuja entrada custa R$ 15 por pessoa, há a Gruta Azul, onde não é permitida a flutuação, pois tem 70 metros de profundidade.

Como chegar

A viagem entre Salvador e Lençóis é feita pela empresa Real Expresso, que mantém saídas diárias no valor de R$ 59. O trajeto entre as cidades é de cerca de 6h.

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